13 coisas que mudaram em mim depois de 5 anos viajando o mundo sozinho

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Javier Lenzner de origem argentina-alemã, ele foi criado numa fazenda no interior da Argentina e, ainda criança, mudou-se para a Alemanha com sua família. Durante a adolescência resolveu ir morar sozinho nos EUA e, depois de ter se formado em Business Management pela California State University of Northridge, resolveu realizar o sonho de percorrer livremente o mundo. Conheceu toda a América do Sul viajando de canoa, barco, ônibus, carro, cavalo e até à pé.

Aos 23 anos em Los Angeles, EUA, deixando a vida de conforto que tinha, morando no meu próprio veleiro, para começar uma jornada de descobertas pelo mundo

Durante 5 anos percorreu um total de mais de 45 mil km e 10 países. Foi uma linda viagem selvagem, recheada de aventuras e aprendizados, válidos para o resto da vida. Abaixo Javier lista 13 deles:
1. Gratidão

Logo no início da viagem comprei uma bicicleta em Cuba, para atravessar o país pedalando. Já no primeiro dia sofri um grave acidente: um carro me atingiu por trás, me deixando inconsciente por mais de 12 horas. Foram 2 semanas de internação. Foi um verdadeiro renascimento e uma nova chance para apreciar a vida, vivendo um dia de cada vez. A partir daí passei a agradecer o fato de poder acordar e começar um novo dia.

Quando foi a última vez que você foi grato pelo “simples” fato de estar vivo?

Renascendo após o acidente de bicicleta em Cuba
2. Cidadão do mundo

Depois de ter viajado, trabalhado e morado em vários países com culturas diferentes, considero-me um cidadão do mundo, pois carrego comigo um pouquinho de cada lugar em que estive. Acredito que cada um nasce num país, porém não é obrigado a morar nele a vida inteira. Todos somos livres e podemos escolher onde queremos morar e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para construir a vida que desejamos.

Se você não é feliz onde está, o que te impede de ir morar num outro lugar?

De um lado do rio é a Argentina, do outro o Brasil. As fronteiras são uma invenção humana, a terra é uma só
3. Desapego

Aprendi a me desapegar, a me desligar de lugares, de pessoas, animais, sensações e coisas. Durante a viagem tive de superar a morte de um familiar, de um cachorrinho querido, que tinha sido meu companheiro de viagem durante um bom tempo. Tive de me despedir da minha família em várias ocasiões, dos meus amigos, e de pessoas incríveis que conheci pelo caminho. Tive de me desfazer da bicicleta e dos cavalos que me levaram a tantos lugares mágicos. Após a viagem, decidi doar o meu segundo cãozinho, que ganhou um novo lar com pessoas muito queridas.

O melhor que a gente pode fazer é aproveitar tudo o máximo possível enquanto estiver na nossa frente: um ser querido, um animal, ou qualquer bem material. Tudo é passageiro, até você e eu estamos apenas de passagem por este mundo.

De que você gostaria aprender a se desapegar?

Com Mago, o primeiro companheiro de viagem que faleceu dias depois desta foto

Lampião, o segundo parceiro, que me acompanhou até o final da viagem

Durante 5 anos bebi a água de rios, lagoas e cachoeiras sem jamais fervê-la; também a utilizava para tomar banho, lavar roupa e cozinhar meu alimento todos os dias

Meu “armário” durante boa parte da viagem. Só carregava unicamente o necessário
4. Não julgamento

Por conta da minha aparência “desleixada”, com cabelo cumprido e barba, muitas pessoas acabavam me julgando antes mesmo de trocar uma palavra comigo. Vivi muitas situações onde conversei com pessoas aleatórias e curiosamente, eram pessoas extremamente inteligentes e sábias. Portanto, lembre-se que um verdadeiro mestre pode estar diante de você a qualquer momento. Ao mesmo tempo, para evitar frustrações, o melhor que se pode fazer é não esperar nada de ninguém, a não ser de si mesmo.

Você já sofreu algum preconceito?

Já transformado pela viagem com barba e cabelão

Para evitar o preconceito, cortei o cabelo, tirei a barba e graças a isso consegui emprego numa fazenda em 2 dias
5. Família

O apoio incondicional da minha família foi fundamental para conseguir realizar essa viagem, por isso sempre que possível, através de telefonemas ou pela internet, dividia com eles os momentos mágicos. Foi lindo ter conseguido compartilhar uma parte da viagem com meu pai, cavalgando pela Patagônica argentina juntos. Também foi incrível pedalar por 4 meses com minha irmã lado a lado. Essas experiências nos uniram ainda mais.

Você valoriza o suficiente a sua família no seu dia a dia?

Reencontro familiar na Argentina, cada um vindo de um pais diferente

Com meu pai, Mario, me acompanhando na Patagônia argentina durante um trecho da cavalgada

Com minha irmã, Karin, no Parque Nacional Iguaçu durante os 4 meses de pedalada juntos

Amor e cumplicidade de irmãos
6. Ser confiante e positivo

Como escolhemos reagir aos acontecimentos das nossas vidas tem muita influência sobre o que realmente acontece. Quando me deparava com dificuldades, eu tentava pensar que elas surgiram para me preparar para superar futuros desafios e com isso conseguia me fortalecer mental e fisicamente, além de acabar atraindo pessoas do bem, que acabavam me ajudando.

Certa vez, quebrou o pedal da bicicleta no meio do Pantanal. Assimilei isso como uma grande oportunidade para caminhar e apreciar ainda mais a natureza e os animais, demorando 10 dias até chegar na cidade seguinte. Ao contrário do que é noticiado diariamente, há mais coisas boas acontecendo do que ruins. Ainda há muitas mais pessoas do bem do que do mal.

Você costuma focar no positivo ou no negativo?

Quando não deu mais para pedalar, chegou a hora de caminhar e empurrar a bike

Com Diego, um amigo que se tornou um irmão e me acompanhou durante 3 meses na época que viajava de carro. Quem precisa de pousada quando se tem uma rede para dormir no meio do mato?

Viajando a cavalo na Patagônia argentina e acampando com temperaturas de -14°C podia tremer com o frio ou contemplar a beleza da paisagem e sorrir de alegria
7. Solidão

Muitas pessoas me perguntavam se sentia solidão viajando sozinho, o que me levou a entender que a solidão é o maior medo do ser humano, independente da nacionalidade e cultura. Pessoalmente, nunca me senti sozinho, na verdade, eu estava “comigo mesmo”. O fato de viajar sem companhia fez com que eu me tornasse um “ímã” ao qual as pessoas se sentiam atraídas e queriam conhecer. Isso me abriu muitas portas, ganhei muitos amigos e me permitiu total liberdade de escolha; sendo eu o produtor, diretor e ator do meu próprio “filme”. Cada um tem o poder de construir a sua realidade ao longo da vida.

Qual é a realidade que você construiu para você mesmo?

Os nativos que me acolhiam, no Amazonas, viravam rapidamente novos amigos

Nativos do Pará que me acolheram durante algumas noites

Fiquei doente e esta família colombiana me acolheu em seu barco e cuidou de mim como um próprio membro da família
8. Coração

É essencial ouvir a voz do coração. Ela é nosso autêntico guia e nunca erra. Quando fazemos algo ouvindo o coração, a decisão é tomada por um sentimento profundo, e não iremos nos arrepender. Quanto mais eu praticava isso, mais ia percebendo que tomava as decisões certas.

Você tem escutado a sua voz ultimamente?

Árvore com formato de coração que encontrei pelo caminho na Amazônia
9. Conexão com a natureza

Acampar praticamente durante os 5 anos aumentou ainda mais a minha ligação e o meu amor pela natureza, que sempre foi meu refúgio seguro. Pude entender que há muito respeito entre as diferentes espécies que vivem num mesmo ambiente. Há uma harmonia e sincronia entre os animais que a maioria das pessoas nem imagina. Constatei que de todos os animais que encontrei, o mais perigoso sem dúvida foi o ser humano. Ele é o único que pode te atacar sem você ter feito nada. Os demais apenas se defendem quando se sentem ameaçados.

Nu, contemplando a beleza do Pantanal

Desmontei a bike, comprei esta canoa e remei durante um mês pelo rio Sucunduri, numa área virgem da Amazônia

Acampando na beira dos rios da Amazônia
10. Propósito de vida

Penso que cada um deve descobrir o que se sente feliz fazendo e dedicar-se a isso, dando assim um significado e uma importância muito maior e nobre para a própria existência. A vida vale muito a pena. Descobri que o mundo precisa de pessoas felizes. Existem infinitas formas de fazer do nosso mundo um lugar melhor para se viver. Por mais minúscula que a sua boa ação pareça para você, ela pode significar uma salvação para quem recebe a sua ajuda.

A pergunta é: “O que você está disposto a fazer?”

legria ao sentir o calor da terra bem de perto
11. Felicidade

Descobri que a felicidade não é algo que podemos ter como meta, como um objetivo final a alcançar. A felicidade é o caminho. É preciso curtir cada passo, saber tropeçar, rir das próprias quedas e levantar. Os problemas de hoje nada mais são do que oportunidades de crescimento. Para ser verdadeiramente feliz, muito pouco é realmente necessário. A felicidade nada mais é do que uma escolha de vida.

O que você está fazendo hoje para ser feliz?

Volta completa após 5 anos de viagem. Sonho realizado, felicidade não tem fim!
12. O amor, a linguagem universal

Se tivesse que fundir tudo o que vivi de bom e de belo na viagem ou resumir o que foi e é mais importante para qualquer ser humano, chamaria isso de amor. O amor é a linguagem universal, a língua mais falada do mundo, a essência do bem, a força maior de todas. Todas as formas de amor que o ser humano pode sentir ou despertar no próximo é o que nos mantém vivos. A vida sem amor não tem significado. Estou extremamente agradecido por ter sido acolhido e ajudado por tanta gente que não me pedia nada em troca.

Esse amor altruísta é o ato mais digno, puro, autêntico e admirável, que qualquer um de nós pode fazer nesta viagem chamada vida.
13. Limitantes

Reparei que de certa forma, o meu sonho de viajar é o sonho de toda humanidade. Depois de compartilhar a minha história com as pessoas que encontrava, quase sempre a maioria confessava: “Um dia eu adoraria fazer o que você está fazendo, mas eu não posso porque não tenho…dinheiro, tempo, conhecimento, ou sou muito velho/novo”.

Na verdade, nenhuma dessas coisas é uma limitante que impeça você de viajar ou realizar qualquer outro sonho na sua vida. Somos nós mesmos que criamos as nossas limitações e o que tem por trás delas sempre é algum tipo de medo. O maior aprendizado que a viagem me deixou é que o potencial de todo ser humano é infinito. Na maioria dos casos, nos subestimamos a nós mesmos. O dever de cada um é se descobrir e ultrapassar qualquer obstáculo para viver a vida em seu máximo esplendor, alcançando a realização e felicidade absoluta.

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